Leishmaniose Visceral: mitos e verdades que você precisa saber
A campanha do Agosto Verde Claro, inspirada pela Lei nº 12.604/2012, acontece anualmente e tem como objetivo informar e conscientizar a população a respeito da importância do combate à Leishmaniose. Na atuação da medicina veterinária, a preocupação se mostra ainda maior quando nos referimos à Leishmaniose Visceral Canina (LVC), que afeta a vida de animais e humanos em sua versão mais perigosa.
A desinformação se configura como uma das principais dificuldades para o enfrentamento da doença, considerando as crenças adotadas como verdade por responsáveis, população geral e até mesmo médicos-veterinários.
É verdade mesmo?
- “A Leishmaniose Visceral Canina é transmitida diretamente pelo cachorro contaminado”
É MITO! Na verdade, a doença é transmitida pela picada de fêmeas infectadas de flebotomíneos, insetos popularmente conhecidos como “mosquito-palha”. A contaminação acontece quando o inseto pica um animal doente e, em seguida, um humano saudável.
- “Leishmaniose Visceral é uma zoonose”
É VERDADE! No ciclo de transmissão da LV, tanto humanos quanto animais podem ser acometidos. Os cães são uma espécie vulnerável, sendo considerados os principais reservatórios urbanos da doença. Em ambientes silvestres, raposas e marsupiais têm sido considerados como principais reservatórios.
- “As larvas do mosquito-palha, vetor da doença, se desenvolvem na água parada”
É MITO! Diferente de outras espécies de insetos alados, o mosquito-palha possui larvas que se desenvolvem no solo, quando este está úmido e coberto de matérias orgânicas como folhas, fezes, frutos e restos de comida.
- “A Leishmaniose Visceral Canina é uma doença de notificação obrigatória”
É VERDADE! A LVC consta como uma das doenças que devem ter o diagnóstico obrigatoriamente informado por médicos-veterinários, de acordo com a Instrução Normativa MAPA Nº 50/2013. A catalogação de animais infectados é importante para evitar a disseminação da doença para outros indivíduos próximos ao local.
- “Leishmaniose Visceral Canina tem cura”
É MITO! Responsáveis por cães infectados podem optar pelo acompanhamento veterinário e tratamento da doença, fazendo uso de medicamento que reduz a carga parasitária e alivia os sintomas. Além disso, o acompanhamento veterinário deve continuar por toda a vida do animal, assim como o uso de ferramentas repelentes para evitar o contato com o vetor da doença.
No Brasil, apenas dois produtos são autorizados pelo Ministério da Saúde para o tratamento da leishmaniose visceral em cães.
Por não demonstrar a mesma eficácia em todos os cães expostos ao medicamento, o tratamento dos cães não se configura como uma medida de saúde pública para controle da doença, portanto, sendo considerado uma escolha individual do tutor.
É importante ressaltar que a prescrição, indicação ou utilização de produto não regulamentado sujeitará o profissional médico-veterinário ao enquadramento em infração administrativa, penal e ética, bem como em responsabilidade civil diante do responsável pelo animal.
- “Leishmaniose Visceral tem prevenção”
É VERDADE! Uma das principais medidas adotadas pelos responsáveis por animais é o uso de coleiras impregnadas com inseticida (deltametrina a 4%). Além disso, instalar telas de proteção.
O combate ao vetor (mosquito-palha) também se mostra essencial, podendo ser realizado com a limpeza cotidiana de quintais, descarte adequado de lixo, destinação correta de fezes animais, folhas e madeira.
Informe-se e seja um agente ativo na prevenção da Leishmaniose Visceral Canina.
*Com informações do Guia de Bolso da Leishmaniose Visceral.