O presidente Luiz Inácio Lula da Silva sancionou a Lei Nº 15.021/2024, que dispõe sobre o controle de material genético animal e sobre a obtenção e o fornecimento de clones de animais domésticos destinados à produção de animais domésticos de interesse zootécnico.
Em um marco significativo para a produção animal brasileira, a sanção presidencial da lei, oriunda do Projeto de Lei Nº 5.010/2013, regula o controle e a fiscalização da produção, manipulação, importação, exportação e comercialização de material genético animal e clones de animais domésticos de interesse zootécnico, como bovinos, caprinos e aves.
A nova legislação define termos essenciais como clonagem e material genético, e estabelece que a fiscalização será realizada pelo Poder Público federal, abrangendo aspectos higiênico-sanitários, de segurança e de desempenho produtivo em diversos locais, incluindo laboratórios e portos.
A medida determina que apenas fornecedores registrados no órgão competente do Poder Público federal podem desenvolver atividades relacionadas ao material genético animal e clones de animais domésticos de interesse zootécnico, com controle oficial dos animais doadores. A supervisão e a emissão de certificados serão de responsabilidade dos serviços veterinários oficiais.
Responsabilidade por Danos
Além disso, a lei dispõe que os fornecedores serão responsabilizados por danos causados e devem garantir a qualidade e a identidade do material genético. A circulação e a manutenção de material genético devem ser documentadas, com informações centralizadas em um banco de dados público.
A nova legislação considera infração qualquer ação ou omissão que viole suas normas, aplicando penalidades que variam de advertência a multa, apreensão, suspensão, interdição, destruição de material genético, cancelamento de registro e esterilização de clones. As penalidades serão determinadas pela gravidade do dano e risco à sanidade animal, saúde pública e meio ambiente. A produção e liberação de clones de animais silvestres nativos do Brasil requerem autorização prévia do órgão ambiental competente.
Cabe ainda ao Poder Público federal definir os critérios e os valores da multa, que podem variar de R$ 1.500 até R$ 1,5 milhão, e aplicá-la, proporcionalmente, à gravidade da infração.
Veto
Após ouvir pastas ministeriais competentes e envolvidas na temática, o presidente Lula decidiu vetar, por inconstitucionalidade, o art. 14, § 1º, VIII, para evitar conflitos com a Constituição Federal e garantir segurança jurídica, pois o dispositivo prevê a perda de incentivos fiscais sem especificar quais seriam afetados, o que fere a exigência de lei específica para benefícios fiscais e a definição legal de tributo.
Objetivo
Com a sanção presidencial, espera-se que a nova lei traga maior segurança jurídica e eficiência na aplicação das normas, promovendo avanços significativos na área de clonagem e manipulação de material genético animal no Brasil. A lei entra em vigor após 90 dias a partir da data da publicação no Diário Oficial da União.
O Conselho Regional de Medicina Veterinária de Goiás (CRMV-GO), no uso das suas atribuições conferidas pela Lei 5.517/1968 e seu decreto regulamentador nº 64.704/1969, nos termos do Art. 7º, inciso III, da Resolução CFMV nº 1.138/2016 (Código de Ética do Médico-Veterinário) e da Resolução CFMV nº 1.525/2023, vem conceder DESAGRAVO PÚBLICO em favor do médico-veterinário Eliel Ferreira Di Souza Junior (CRMV-GO 09569-VP), por ofensas sofridas no exercício da profissão.
É inaceitável que sejam praticadas ofensas, palavras desrespeitosas, intimidação, ameaças ou agressão contra médicos-veterinários e zootecnistas durante o cumprimento de suas funções. Tais atos não apenas ferem a dignidade dos profissionais, mas também desrespeitam a relevância social de suas atividades, fundamentais para a saúde e o bem-estar animal, humano e ambiental. Todo e qualquer ato ofensivo, desrespeitoso e/ou violento deve ser coibido e repudiado por toda a sociedade.
O CRMV-GO manifesta total apoio e solidariedade ao profissional desagravado, bem como a todos que atuam zelando pelo bem-estar de animais e seres humanos, Este conselho reafirma seu compromisso em proteger os direitos da classe e exigir respeito e dignidade para com todos os médicos-veterinários e zootecnistas.
Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de Goiás (CRMV-GO)
Com a chegada de novembro, o comércio e os consumidores se preparam para as grandes promoções da Black Friday, época marcada por descontos e oportunidades de compra. No entanto, o Conselho Regional de Medicina Veterinária de Goiás (CRMV-GO) alerta: na Medicina Veterinária, a Black Friday NÃO existe.
Em um mercado cada vez mais competitivo, a publicidade do serviço prestado pelo médico-veterinário e o zootecnista tem se mostrado um importante recurso de divulgação profissional para conquistar novos clientes, aumentar a fidelização e divulgar estudos e pesquisas.
A publicidade no âmbito da Medicina Veterinária e da Zootecnia é regulamentada pelas Resoluções CFMV n° 780/2004, que normatiza a publicidade e conceitua os procedimentos indicados para a divulgação de temas de interesse das classes, e as de nº 1.138/2016 e nº 1.267/2019, que aprovam, respectivamente, o Código de Ética do Médico-veterinário e o do Zootecnista. Além do Código de Defesa do Consumidor (Lei 8078/1990).
A legislação diz que toda forma de propaganda, pessoal ou dos serviços oferecidos, deve ser discreta. Os receituários, laudos, atestados e carteiras de vacinação, não podem apresentar publicidade de produtos, logomarca ou logotipo. Os anúncios e impressos devem conter dizeres compatíveis com os princípios éticos, não implicando em autopromoção.
Ética e Publicidade: O que é proibido?
O profissional médico-veterinário deve assegurar que o conteúdo que está divulgando é cientificamente comprovado, validado, pertinente e de interesse público, sempre se pautando pelo caráter de esclarecimento e educação da sociedade.
Os materiais de divulgação, impressos ou digitais, não podem conter a informação expressa de valores cobrados pelos serviços ou formas de pagamento, assim como as chamadas do tipo: “promoção”, “desconto” ou “gratuito”. A divulgação de preços e promoções em serviços veterinários trata-se de uma violação ética.
Veja alguns exemplos de práticas proibidas pelo Código de Ética do Médico-Veterinário:
Serviços como prêmios – “Art. 13. O médico veterinário não deve oferecer nem permitir que seus serviços profissionais sejam oferecidos como prêmio de qualquer natureza.”
Divulgação de valores de serviços e formas de pagamento – “Art. 14. É vedado ao médico veterinário veicular em meios de comunicação de massa e em redes sociais os preços e as formas de pagamento de seus serviços.”
Promoções e descontos em serviços – “Art. 15. É vedado ao médico veterinário divulgar os seus serviços como gratuitos ou com valores promocionais.”
O que é permitido? Apesar das restrições, existem maneiras de divulgar serviços de forma ética e eficaz. Confira o que é permitido:
Identificação completa: Nome do profissional, número de inscrição no CRMV e informações de contato devem constar em anúncios.
Informação sem sensacionalismo: Procedimentos e casos clínicos podem ser divulgados desde que respeitem critérios de sigilo e não exponham o paciente para fins promocionais.
Campanhas educativas: Datas comemorativas e campanhas de conscientização são incentivadas, desde que tenham caráter informativo.
Concessão de entrevistas: É permitida para fins educativos e de interesse social, evitando a autopromoção.
Uso de Imagens e Sigilo Profissional Outro ponto crucial é o uso de imagens de animais para divulgação. O tutor deve conceder autorização expressa e por escrito, evitando possíveis implicações legais. Além disso, é proibido usar fotos para demonstrar resultados de tratamentos ou para fins publicitários.
Valorização da Profissão e Confiança A valorização do médico-veterinário e do zootecnista está intrinsecamente ligada à maneira como os serviços são promovidos. Ao adotar práticas de publicidade que respeitem as normas éticas, os profissionais não apenas protegem a credibilidade da classe, mas também reforçam a relação de confiança com seus clientes.
O CRMV-GO destaca que, ao priorizar a ética, os médicos-veterinários contribuem para a construção de uma imagem profissional sólida e respeitada. Publicidade não é apenas uma ferramenta de promoção, mas também um meio de educar e conscientizar a sociedade sobre a importância da Medicina Veterinária para a saúde única, o bem-estar animal e a segurança alimentar.
Publicidade e Ética na Medicina Veterinária andam juntas!
A campanha Novembro Azul é mundialmente reconhecida como o período dedicado à conscientização e prevenção ao câncer de próstata em homens, tendo como principais objetivos: compartilhar informações sobre a doença; proporcionar maior acesso aos serviços de diagnóstico e de tratamento, e contribuir para a redução da mortalidade. Além disso, desde 2022, o Ministério da Saúde mobiliza essa campanha como sendo destinada à importância do cuidado com a saúde geral dos homens, incentivando exames e cuidados durante todo o ano.
Embora seja um tema difícil de tratar, falar abertamente sobre muitos tipos de doenças, inclusive quanto ao câncer de próstata, pode ajudar a esclarecer mitos e verdades e, com isso, aumentar o conhecimento e diminuir o temor dos pacientes e familiares!
Novembro Azul Pet
O que muitas pessoas desconhecem é que o câncer de próstata também é uma das doenças comuns em animais domésticos como cães e gatos. O Novembro Azul Pet tem o objetivo de chamar a atenção dos responsáveis para a importância dos exames em cães e gatos machos, especialmente nos animais de meia-idade e idosos, bem como sobre o papel fundamental da castração como forma de prevenção da enfermidade.
A maioria dos cães com mais de 4 anos, está sujeita ao desenvolvimento de várias alterações na glândula prostática, por isso é fundamental o exame de toque retal e, quando necessário, a ultrassonografia para uma análise mais detalhada. Alterações dessa natureza também podem surgir em gatos, mas é raro. Os tutores devem ficar atentos.
Sintomas das Doenças de Próstata
Perda de apetite
Micção frequente
Tenesmo urinário (esforço para urinar, com pouco sucesso)
Constipação
Bolo fecal de formato irregular
Urina sanguinolenta
Febre
Dor abdominal
Corrimento uretral
Andar enrijecido
Prevenção
Para prevenir as doenças da próstata, a castração é considerada o método mais efetivo. O ideal é que o animal seja castrado por volta de 1 ano de idade (cães pequenos e gatos – quando possível) e os cães grandes perto dos 18 meses.
Além disso, a castração previne outras doenças, como a infecção na próstata, o abcesso prostático, o cisto prostático e a Hiperplasia Prostática Benigna. A castração minimiza as chances do seu animal desenvolver doenças graves. Outro ponto importante é oferecer ao pet uma alimentação balanceada.
Tratamento
Nos casos de infecções, geralmente se opta pela utilização de antibióticos por período prolongado (mínimo de quatro semanas), enquanto nos de abscesso e cistos prostáticos, a drenagem das lesões precisa ser acompanhada de antibioticoterapia e castração. Já quando é constatada a Hiperplasia Prostática Benigna, o tratamento se volta à castração do animal.
O tratamento para o câncer de próstata, conscientizado pelo Novembro Azul Pet, consiste na remoção da glândula, uma cirurgia delicada, pois a uretra passa por dentro da próstata. Em alguns casos é utilizada a radioterapia e/ou quimioterapia para realizar um controle local da doença. Porém, muitas vezes não há como reverter o mal causado pela doença.
Medicina Veterinária: Pilar da interconexão entre saúde humana, animal, vegetal e ambiental!
A Uma Só Saúde ou Saúde Única representa uma visão integrada, que considera a indissociabilidade entre saúde humana, saúde animal e saúde ambiental. O conceito foi proposto por organizações internacionais, como a Organização Mundial da Saúde (OMS), a Organização Mundial da Saúde Animal (OIE) e a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO), reconhecendo que existe um vínculo muito estreito entre o ambiente, as doenças em animais e a saúde humana.
As interações entre humanos e animais ocorrem em diversos ambientes e de diferentes maneiras. Essas interações podem ser responsáveis pela transmissão de agentes infecciosos entre animais e seres humanos, levando à ocorrência de zoonoses. Segundo a OIE, cerca de 60% das doenças humanas têm em seu ciclo a participação de animais, portanto, são zoonóticas, assim como 70% das doenças emergentes e reemergentes.
O conceito Uma Só Saúde define políticas, legislação, pesquisa e implementação de programas, em que múltiplos setores se comunicam e trabalham em conjunto nas ações para a diminuição de riscos e manutenção da Saúde. Essa integração pode contribuir para a eficácia das ações em Saúde Pública, com redução dos riscos para a saúde global.
Uma Só Saúde no Brasil
O Governo Federal lançou em agosto deste ano o Comitê Técnico Interinstitucional de Uma Só Saúde. Liderado pelo Ministério da Saúde, o grupo é composto por 20 entidades, entre elas o Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV). Considerado o primeiro passo para que o Brasil tenha uma política nacional e um plano de ação que reconheçam a interconexão entre a saúde humana, animal, vegetal e ambiental, o grupo foi instituído pelo Decreto n° 12.007/2024 e é formado por ministérios, institutos, agências reguladoras e conselhos de classe, abrangendo as áreas da Biologia, Medicina Veterinária, Pesquisa Agropecuária, Farmácia, Medicina, Enfermagem, Meio Ambiente, Biodiversidade, entre outras.
A Medicina Veterinária
Neste Dia Mundial da Uma Só Saúde, o Conselho Regional de Medicina Veterinária do Estado de Goiás (CRMV-GO) reforça o papel dos médicos-veterinários para a saúde do planeta. São esses profissionais que atuam prevenindo, controlando ou erradicando doenças, garantindo a saúde animal e a qualidade dos alimentos de origem animal para a população.
O médico-veterinário é o profissional que reúne competências diversas e sua atuação vai muito além do cuidado com a saúde e o bem-estar dos animais e dos atendimentos em clínicas, hospitais e consultórios veterinários.
No SUS, por exemplo, os conhecimentos técnicos do médico-veterinário auxiliam na prevenção, controle e diagnóstico de zoonoses – doenças infecciosas transmitidas entre animais e pessoas, como raiva, leptospirose, tuberculose, dengue, febre amarela, dentre outras. Além disso, prestam assistência técnico-sanitária aos animais, garantindo a sanidade dos alimentos de origem animal, atuando na defesa agropecuária, na inspeção oficial e nas vigilâncias sanitárias. Também são capacitados para atuar no controle de situações de emergência, especialmente nas vigilâncias epidemiológicas.
Medicina Veterinária: Pilar da interconexão entre saúde humana, animal, vegetal e ambiental!
Após articulação do Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV), o Senado aprovou, nesta quarta-feira (30), o projeto que estabelece o piso salarial dos profissionais de Zootecnia em todo o país. O valor é equivalente a seis salários mínimos, o que corresponde atualmente a R$ 8,4 mil.
De autoria do senador Zequinha Marinho, o PL 2816/2026 foi relatado pela senadora Teresa Leitão que, em setembro, emitiu posição favorável ao pedido do CFMV. O projeto inclui os profissionais formados em Zootecnia entre aqueles cujo piso salarial é regido pela Lei 4.950-A, de 1966. A norma estabelece atualmente que os formados em cursos de Engenharia, Química, Arquitetura, Agronomia e Medicina Veterinária com duração inferior a quatro anos têm piso equivalente a cinco salários mínimos. Para aqueles formados em cursos com duração de quatro anos ou mais o piso é de seis salários mínimos para uma jornada de seis horas diárias. Os cursos de Zootecnia têm, em média, duração de cinco anos.
“A valorização profissional passa também por um salário justo e digno. Dentro das as atribuições do CFMV, atuamos para viabilizar um piso salarial que esteja à altura e reconheça a contribuição dos zootecnistas para a economia brasileira”, destacou a presidente da autarquia, Ana Elisa Almeida. O texto foi aprovado na forma de substitutivo elaborado pela senadora Professora Dorinha Seabra na Comissão de Assuntos Econômicos e segue agora para a Câmara dos Deputados, a menos que haja requerimento para análise do Plenário.
Fonte: Agência Senado, adaptado pela Comunicação do CRMV-GO e CFMV.
O Conselho Regional de Medicina Veterinária de Goiás (CRMV-GO) congratula o Médico-Veterinário Thiago Souza Azeredo Bastos, terceiro profissional goiano a conquistar o Prêmio Professor Paulo Dacorso Filho, a maior honraria concedida pelo Conselho Federal de Medicina Veterinária (CFMV). Aos 36 anos, Thiago será o mais jovem veterinário brasileiro a receber a prestigiada medalha, um reconhecimento por sua trajetória notável..
Segundo o CFMV, O Prêmio Professor Paulo Dacorso é outorgado a médico-veterinário que tenha realizado relevantes serviços à ciência veterinária e ao desenvolvimento agropecuário do país. A premiação é anual e a avaliação dos candidatos é feita pela Comissão de Avaliação e Julgamento, constituída pelos Conselheiros do CFMV. Os vencedores são definidos por voto, em Sessão Plenária, conforme definido pela Resolução CFMV nº 1.386/2021.
Desde sua graduação em 2010, Thiago Bastos se destacou nas quatro grandes áreas da Medicina Veterinária: Tecnologia e Inspeção de Produtos de Origem Animal, Sanidade Animal, Produção e Reprodução Animal, e Clínica e Cirurgia de Animais. Sua formação técnica teve início no Centro de Pesquisa em Alimentos (CPA/UFG), onde colaborou no monitoramento microbiológico de carnes. Na sequência, durante sua residência em Sanidade Animal, trabalhou com o diagnóstico e controle de doenças como brucelose, botulismo e tripanossomíase bovina, doença emergente que se tornou foco de suas pesquisas.
Além de sua atuação como clínico e pesquisador, Thiago Bastos iniciou a carreira docente na Faculdade Anhanguera de Anápolis e atualmente é professor na Universidade Evangélica de Anápolis (UniEvangélica), onde ajudou a construir e coordenar projetos de extensão e pesquisa, além de contribuir para a implementação da Clínica Veterinária da instituição. Ao longo de sua carreira, Thiago colaborou com importantes instituições como a Fiocruz, EMBRAPA, SENAR-GO, e universidades de renome como a UNESP e a Universidade Lusófona de Lisboa.
O CRMV-GO presta sinceras congratulações ao profissional homenageado, bem como reconhece a importância da pesquisa, do desenvolvimento científico, do trabalho e da perseverança de todos que atuam arduamente pelo crescimento contínuo da Medicina Veterinária no Brasil.
Nesta semana, o presidente do CRMV-GO, Méd. Vet. Rafael Vieira, está participando da 4ª CNP – Câmara Nacional de Presidentes, encontro de integração entre o Conselho Federal e os Conselhos Regionais de Medicina Veterinária (Sistema CFMV/CRMVs), em Curitiba (PR).
A CNP reúne os presidentes de dos 27 regionais para discutir as principais demandas de cada estado. Com pelo menos 16 pautas em discussão, os temas abordados incluem desde os Planos de Saúde Animal e Responsabilidade Técnica até Processos Éticos. Após o encontro, essas questões serão avaliadas por um grupo de trabalho técnico-jurídico e submetidas à Diretoria Executiva e conselheiros do CFMV.
Durante a CNP, o presidente do CRMV-GO abordou alguns assuntos amplamente debatidos, como a publicidade na Medicina Veterinária e a realização de projetos de controle populacional, reforçando as necessidades do regional.
A presidente do CFMV, Méd. Vet. Ana Elisa Almeida, destacou a relevância das discussões e a importância de um encontro como esse para alinhar as ações e demandas do Sistema. “A CNP é um momento fundamental para fortalecer o diálogo entre os Conselhos Regionais e o CFMV. Estamos aqui para ouvir, debater e construir soluções que atendam às necessidades dos profissionais e, ao mesmo tempo, assegurem a qualidade dos serviços prestados à sociedade”, afirmou.
O CRMV-GO é contra o Projeto de Lei nº 3665/2024, de autoria do Senador Hamilton Mourão, que trata sobre a regulamentação das análises clínicas animais no Brasil e abre possibilidade para que outros profissionais exerçam atividades privativas de médicos-veterinários.
O Sistema CFMV/CRMVs convoca profissionais da Medicina Veterinária e a toda a sociedade a votar “NÃO” para a proposição, disponível para consulta pública no portal do Senado Federal (e-Cidadania) ou pelo link bit.ly/consultaPL3665.
O PL propõe a regulamentação das análises clínicas animais, permitindo que atividades como coleta e processamento de amostras biológicas, emissão de laudos e a responsabilidade técnica em laboratórios de análise clínica sejam exercidas por profissionais não qualificados tecnicamente para esta função. A proposta representa uma ameaça direta à Medicina Veterinária e, se aprovada, comprometerá a saúde, a integridade e o bem-estar dos animais com impacto direto na saúde pública e no meio ambiente.
O CRMV-GO defende e destaca que o médico-veterinário é o único profissional com estudo aprofundado em disciplinas como anatomia, histologia, bioquímica, fisiologia, anatomia patológica, patologia clínica e diversas outras áreas essenciais para a clínica animal. A atuação de profissionais sem a devida formação específica “em análises clínicas animais e no funcionamento dos laboratórios de análises clínicas para fins de apoio diagnóstico em saúde dos animais” contraria a legislação especial vigente, a Lei nº 5.517/1968, que estabelece claramente que essas atividades são competências exclusivas dos médicos-veterinários.
Diante do exposto, o CRMV-GO reitera a importância do voto contrário de toda a sociedade ao Projeto de Lei nº 3665/2024, reforçando a necessidade de preservar a Medicina Veterinária, a qualidade dos serviços prestados, bem como assegurar que as práticas relacionadas à saúde animal sejam realizadas por profissionais qualificados, em respeito à legislação vigente, ao bem-estar dos animais, à saúde pública e ao meio ambiente.
Embaixador da Medicina Veterinária Brasileira no mundo deixa legado de amor à profissão e imensurável contribuição para o progresso da ciência
Faleceu em Brasília, o médico-veterinário Milton Thiago de Mello, na terça-feira (1), aos 108 anos de idade, deixando esposa, quatro filhos, cinco netos e dois bisnetos.
O professor e pesquisador dedicava-se como ninguém ao seu trabalho, mas de uma forma leve. Seu raciocínio era rápido para estampar sorrisos em seus interlocutores e, por onde passava, cativava com seu humor refinado.
Nascido no Rio de Janeiro, em 5 de fevereiro de 1916, dedicou mais de 80 anos de sua vida profissional à Medicina Veterinária e conseguiu feitos importantes para a saúde animal e humana. Desenvolveu relevantes trabalhos em ensino e pesquisa, como a produção de penicilina no Brasil.
O Dr. Milton Thiago graduou-se em Medicina Veterinária, em 1937, pela Escola de Veterinária do Exército, no Rio de Janeiro, e iniciou a sua vida de pesquisador na mesma instituição. Ele foi pioneiro no estudo de doenças que afetam animais e seres humanos, em uma época que o conceito de zoonose ainda não estava difundido. Na área de microbiologia, contribuiu sobre o conhecimento da brucelose, peste bubônica entre outras.
No Exército Brasileiro (EB), lecionou no Colégio Militar do Rio de Janeiro e trabalhou no Instituto Militar de Biologia, no qual participou da equipe responsável pela produção do soro antitetânico utilizado pelos combatentes brasileiros durante a Segunda Guerra Mundial. Após longa trajetória dedicada à Instituição, foi reformado em 1969 como coronel. Mesmo após seu afastamento da ativa, não parou de trabalhar, realizando pesquisas e consultorias a nível nacional e internacional.
Participou, também, de entidades de classe, tendo sido presidente da Academia Brasileira de Medicina Veterinária (Abramvet); vice-presidente da Sociedade Latino-Americana de Bem-Estar Animal; membro honorário da Associação Mundial de Veterinária; do World Veterinary Association Committee for Animal Welfare and Ethology; e do International Councilof Laboratory Animal Science (ICLAS).
Em sua passagem pela presidência da Abramvet, Thiago de Mello publicou vários trabalhos na revista Animal Business-Brasil. Nesse período, ele também estabeleceu um sólido vínculo com a Sociedade Nacional de Agricultura (SNA), no Rio de Janeiro, inclusive colaborando no livro, Brasil: Potência Alimentar.
Mas não parou por aí, em colaboração com o presidente da SNA, Antonio Mello Alvarenga Neto, apresentou o livro Alimento para um mundo faminto, no 32º Congresso Mundial de Veterinária, realizado em Istambul-Turquia (2015).
Reconhecimento internacional
Uma das entidades que Milton Thiago viu nascer e para a qual deu uma importante contribuição foi a Organização das Nações Unidas (ONU). Em 1945, ano de sua criação, o médico-veterinário brasileiro estava próximo de completar 30 anos de idade e já possuía uma importante carreira. Acabou tornando-se testemunha da trajetória de 77 anos da instituição que ajudou a construir.
Em outubro de 2021, o site da ONU no Brasil publicou uma entrevista, descrevendo sua trajetória profissional e reconhecendo a importante colaboração que o médico-veterinário deu para a construção da entidade.
Mesmo aposentado, colaborou com a Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) em uma consultoria internacional para a Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO) e o Programa das Nações Unidas para o Desenvolvimento (PNUD).
Sua dedicação à ciência aproximou-o da Organização Pan-Americana de Saúde e da Organização Mundial da Saúde (OPAS/OMS). O trabalho realizadoem diferentes entidades da ONU o levou para Guatemala, México, Estados Unidos, Peru, Colômbia, República Dominicana, El Salvador, entre outros.
Considerado um dos mais reconhecidos microbiologistas do mundo, recebeu o prêmio John Gamgee, no dia 19 de setembro de 2013, durante o 31º Congresso Mundial de Veterinária, realizado em Praga, República Tcheca. A honraria é considerada a maior da Medicina Veterinária no mundo.
Sua trajetória proporcionou homenagens oferecidas por altas autoridades, entre as quais, o de “Honorary Fellowof the Zoological Societyof London” entregue pela rainha Elizabeth II, da Inglaterra, no ano de 1988, em Londres.
O professor também teve a oportunidade de se encontrar com o imperador Akihito, do Japão, e o Papa João Paulo II, em ocasiões diferentes.
Dedicação à docência
No meio acadêmico, Mello lecionou em faculdades no Brasil e no exterior. Na Universidade de Brasília (UnB), permaneceu por 20 anos, como professor de microbiologia, e fundou o Centro de Primatologia da instituição. Como pesquisador, produziu mais de 150 artigos científicos e técnicos publicados sobre brucelose, peste bubônica, micologia, infecção por via aérea, primatologia, conservação e ensino veterinário. É autor de quatro livros e editor de outros quatro.
Para quem deseja conhecer melhor a vida deste inspirador médico-veterinário, sugerimos a leitura de sua biografia, intitulada “Poste de Cozumel”. Milton conta a sua vida em sete partes: família, Exército, Medicina Veterinária, ciência, ensino, sociedade e vida internacional. O seu amigoLuiz Octávio Pires Leal, médico-veterinário e jornalista, também escreveu o livro “Milton Thiago de Mello – Ícone da Medicina Veterinária brasileira e mundial”, que também reporta a história do professor, de um ponto de vista diferente, como se ele estivesse sentado à sua frente contando causos da vida. Você pode acessar a publicação aqui.
Milton deixou um recado às novas gerações, em entrevista à Revista Darcy, da UnB, edição nº 22/2019: “Se vocês quiserem progredir, têm que sair da trilha. É importante fazer os sidelines (trilhas alternativas). Para fazer diferente, têm que arcar com a indiferença e a má vontade dos que estão na trilha. Tem que ter muque físico e, principalmente, muque intelectual.”
Currículo
Milton Thiago de Mello fez doutorado em microbiologia, em 1946, pela Escola Nacional de Veterinária, atual Universidade Federal Rural do Rio de Janeiro (UFRRJ). Foi professor da Universidade Federal Fluminense (UFF); Universidade de Brasília (UnB); Universidade Autônoma de Santo Domingo (UASD); Universidade de San Salvador (UES); e Universidade da Califórnia (UC). O professor também deu aula no Instituto Oswaldo Cruz (IOC) e no Colégio Militar do Rio de Janeiro (CMRJ). Thiago de Mello recebeu cerca de 20 distinções e prêmios de instituições como Comité Français de l´Associaciation Mondiale Vétérinaire, The World Veterinary Epidemiology Society, Sociedade Colombiana de Primatologia e The John Simon Guggenheim Memorial.
O médico-veterinário foi membro da Real Academia de Ciências Veterinárias; Academia Nacional de Agronomia y Veterinaria; The American Academy of Microbiology; do The New York Academy of ciences e filiado a mais de 30 sociedades científicas, tendo participado da fundação de 14 delas.